Não tenho vergonha da minha covardia, eu trago o medo comigo e não gosto de maus sonhos. Não sei fujir do que me faz medo. Isso é covardia.
Aquilo me atormenta, parece real e talvez o seja, como sou pequeno. Notei que trilho o caminho errado mas não sei voltar.
Quem sabe voltar? Não seria bom, não é bom. Mas tenho medo. A sensação é de sujeira, pés sujos, alma suja, coisa assim. A água serviria não para me limpar mas para me fazer e me refazer, me levar, me conduzir pra longe, alí, perdido no transparente dela, invisível o dia todo.
Queria me limpar, me limpar de tudo e de todos, não há água suficiente, há medo o bastante. Rastejo por migalhas, tudo fragmentado, não sei em quem confiar. Não confio em mim!
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